Há muito tempo, o veneno das abelhas tem sido estudado e testado para o tratamento de algumas doenças como artrite, reumatismo, inclusive patologias relacionadas ao sistema imunológico. Conhecida como apiterapia, o uso desse composto na medicina é visto com certa desconfiança. Entretanto, recentemente, pesquisas têm apresentado resultados muito satisfatórios, especialmente em células cancerosas mamárias. 

 

Cientistas do Instituto de Pesquisa Médica Harry Perkins, na Austrália, anunciaram que um composto do veneno das abelhas destrói células agressivas do câncer de mama em laboratório. A melitina, substância presente no veneno, foi usada contra dois tipos de câncer difíceis de tratar: triplo-negativo e enriquecido com HER2.

 

O veneno de abelha superou as expectativas ao atacar e matar as células do câncer de mama, embora a intensidade de seus efeitos variasse entre os tipos de células. Foi mais ativo nas células de câncer de mama enriquecidas com TNBC e HER2, seguido pelas células luminais A de câncer de mama, e menos ativo nas células normais. 

 

A melitina isolada do veneno mostrou capacidade de induzir a apoptose (morte celular) nas células do câncer de mama  e também desligou as vias de sinalização que estimulam o crescimento e a divisão celular. Os resultados sugerem que pode ser um poderoso “agente anticâncer”, escreveram os cientistas na revista Nature Precision Oncology. (https://www.nature.com/articles/s41698-020-00129-0

 

A descoberta foi descrita como “emocionante” pelos profissionais que atuam na experimentação do uso de veneno de abelha para reduzir ou matar tumores desde 1950. Mas eles alertam que mais testes são necessários, pois sabe-se que há uma grande diferença entre um resultado de laboratório e um tratamento real. Porém, as novas descobertas são de particular interesse porque dizem respeito a algumas das formas de câncer de mama mais difíceis de tratar.