Perda de memória durante a quimioterapia

Você já ouviu falar em perda de memória durante a quimioterapia? Se você se identifica com este sintoma ou teme por ele em seu tratamento, continue a leitura até o final e saiba as causas e como é possível revertê-lo.

O termo científico para este problema é “chemobrain”, que diz respeito a um efeito da quimioterapia no sistema nervoso central. As dificuldades na cognição vão desde pequenos esquecimentos, como ter dúvida se a porta foi trancada ou não, até fatos que ocorreram há poucos dias.

Para identificar o problema, são avaliados os seguintes aspectos: aprendizado, memória, velocidade de processamento, e função executiva.

Como esta é uma queixa recorrente entre pacientes oncológicos, o assunto merece a atenção de profissionais de diferentes áreas da saúde.

Dados sobre a perda de memória durante a quimioterapia

Essa disfunção cognitiva atinge um grande público entre os pacientes oncológicos. Estudos neuropsicológicos apontam que entre 13% a 70% dessas pessoas sofrem com a perda de memória durante a quimioterapia.

Esse problema costuma aparecer devido a diversos fatores. O primeiro deles é a exposição aos efeitos neurotóxicos do tratamento e os respectivos danos às células do sistema nervoso central.

Esse efeito se agrava quando combinado ao contexto geral do câncer. Os fatores psicossomáticos não devem ser ignorados. Depressão, fadiga crônica e alteração no bem-estar funcional do paciente pioram o quadro.

Os pacientes que já tinham essa queixa antes do tratamento costumam sentir um aprofundamento dos sintomas quando passam pela quimioterapia.

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Tratamento

A perda de memória durante a quimioterapia costuma ser tratada durante as sessões e também após o encerramento delas. Quando o problema não é tratado, o paciente pode conviver com essa dificuldade durante muito tempo, já que os sintomas não vão embora junto ao encerramento da quimioterapia.

Cada caso é particular. No entanto, os médicos utilizam abordagens comportamentais e medicamentosas em conjunto para tratar. Os medicamentos mais usados são os psicoestimulantes, epoetina-alfa e Ginko biloba.

Como médica do câncer eu estimulo que meus pacientes tenham acompanhamento psicológico durante todo o tratamento oncológico. Quando a pessoa apresenta perda de memória durante a quimioterapia, consultar um psicólogo é ainda mais urgente.

O conjunto de uma boa psicoterapia com hábitos de vida saudáveis, incluindo aí uma boa alimentação e a prática regular de exercícios, são a chave para a qualidade de vida e melhora das funções cognitivas, inclusive da memória.

Essa intervenção, combinando fármacos com terapias, estimulam a melhora da qualidade de vida do paciente durante o tratamento e após a sua cura, a fim de que tenha uma vida com o mínimo de prejuízos possíveis.

Se você sente que, em meio ao tratamento, está complicado organizar a sua rotina e lembrar de todos os medicamentos e compromissos, recomendo que baixe em seu celular o aplicativo Tummi. Nele, o paciente encontra espaço para fazer a sua agenda e anotações dos sintomas agora. Está disponível para Android e iOS.

Espero que meu artigo tenha esclarecido a você sobre a perda de memória durante a quimioterapia. Você não está sozinho!

Até a próxima!

Dra. Alessandra Morelle.