Imunoterapia contra o câncer de mama: esperança para o tipo mais agressivo

O tratamento de imunoterapia contra o câncer de mama traz esperança para as portadoras do tipo mais agressivo, o triplo-negativo. Embora a maior parte dos casos do câncer de mama ser tratável e com altas chances de cura, esse tipo específico da doença contava com poucas terapias.

No entanto, um grande estudo com o medicamento atezolizumabe – uma imunoterapia da farmacêutica Roche – deve promover mais opções de tratamentos contra o triplo-negativo. Cabe ressaltar que esta é a versão mais letal de câncer de mama.

O objetivo é prolongar o tempo de vida das pacientes. Vamos entender como funciona?

O estudo

A pesquisa foi divulgada no periódico The New England Journal Of Medicine , uma famosa publicação científica da Inglaterra. Cerca de 900 mulheres portadoras do triplo-negativo em fase avançada, quando a doença já espalhou para outros órgãos, participaram do estudo.

Essas mulheres foram divididas em dois grupos. O primeiro grupo recebeu a imunoterapia contra o câncer de mama em paralelo à quimioterapia. O segundo grupo recebeu apenas um medicamento placebo e quimioterapia.

Enquanto as voluntárias do primeiro grupo sobreviveram por uma média de 21,3 meses a mais, a média no segundo grupo ficou em 17,6 meses. Outra observação: quando as características moleculares do câncer o tornavam mais receptivo ao atezolizumabe, a taxa de sobrevida entre as mulheres que receberam quimioterapia e imunoterapia contra o câncer de mama foi de 25 meses.

Por que o triplo-negativo é tão difícil de tratar?

Atualmente, os casos do triplo-negativo correspondem entre 10% a 15% de todos os diagnósticos do câncer de mama. Como o próprio nome sugere, o tumor deixa de apresentar três alvos que podem ser atacados por alguns tratamentos.

O câncer de mama triplo-negativo não tem:

  • Receptores de estrogênio;
  • Receptores de progesterona;
  • Proteína HER2.

A ausência desses três biomarcadores dificulta os tratamentos de hormonioterapia ou terapia-alvo. Quando diagnosticado no início, é possível removê-lo com cirurgia. Em geral, as pacientes são tratadas com quimioterapia e radioterapia.

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Por que o atezolizumabe é tão eficiente?

A imunoterapia contra o câncer de mama está se mostrando uma esperança importante para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pacientes. Esse medicamento mira em uma molécula denominada PDL-1.

Essa molécula é produzida pelo câncer a fim de enganar o sistema imunológico, fazendo que não ataque os tecidos cancerosos. Quando a produção dessa molécula é inibida, o medicamento auxilia o sistema imunológico a reconhecer as células do câncer e atacá-las.

Devido a escassez de tratamentos contra o triplo-negativo, este é um importante avanço para combater a doença. Espero que este artigo ajude a esclarecer como a imunoterapia contra o câncer de mama representa um passo essencial para dar esperança às pacientes.

Até a próxima!

Dra. Alessandra Morelle