Muitas das drogas utilizadas no tratamento do câncer podem provocar falta de energia e disposição para realização de atividades diárias do paciente. A isso nós damos o nome de fadiga.

Esse sintoma atinge cerca de 70% a 80% dos pacientes que fazem algum tipo de tratamento oncológico.

A presença ou não da fadiga depende de fatores como: quais drogas estão sendo utilizadas no tratamento, suas combinações, a dose que está sendo administrada, a reação individual de cada paciente ao tratamento aplicado e também as reações que o paciente já apresentou em tratamentos anteriores.

Não há como prever antecipadamente se o paciente apresentará ou não fadiga, esse fato só pode ser observado ao longo do tratamento. Normalmente, esse sintoma inicia com a perda de energia para atividades rotineiras, dificuldade para dormir e para acordar, perda de interesse por atividades normalmente realizadas, dificuldade de concentração, inclusive para assistir televisão e ler livros.

Alguns pacientes relatam falta de interesse até para falar, o que provoca um impacto muito grande no dia a dia do paciente e de seus familiares.

Para o paciente que já está abalado pelo tratamento de câncer, a fadiga pode ser algo muito frustrante e inclusive, muitas vezes ela é relatada como um dos sintomas mais difíceis de lidar.

Drogas oncológicas e seus efeitos

Algumas drogas oncológicas que são utilizadas, podem fazer com que a medula óssea diminua a sua produção de células vermelhas do sangue, provocando anemia e ainda mais cansaço e falta de energia do paciente.

Além dos quimioterápicos, as terapias biológicas também podem provocar dores musculares, cansaço e falta de energia. Podendo ser imediato ou alguns dias após a aplicação. Os pacientes idosos também costumam sentir mais cansaço e mais indisposição diante de alguns tipos de tratamentos.

Os pacientes que realizam bloqueio hormonal, normalmente para câncer de mama e câncer de próstata, costumam sentir muito cansaço e indisposição no início do tratamento, mas ao longo dos meses a tendência é que esse para-efeito relacionado a hormonoterapia vá diminuindo.

Os bifosfonatos são drogas utilizadas para o tratamento de metástases ósseas. Eles podem provocar muito cansaço após a aplicação e também podem estar relacionados a dores musculares e dores articulares. Mas como no tratamento de bloqueio hormonal, a tendência é que ao longo do tempo esses sintomas aliviem.

Além disso é muito frequente que os pacientes sintam sonolência e de falta de energia após o uso de determinados analgésicos, mas esses efeitos devem diminuir ao passar do tempo.

E como que os médicos podem auxiliar os pacientes nesse sintoma tão desconfortável que é a fadiga?

Em primeiro lugar é importante que seu médico saiba que você está com esse sintoma, portanto não negligencie essa informação e repasse ao seu médico. A partir desse momento, é possível estabelecer um plano de tratamento, que inclui exercícios leves e auxílio nutricional.

Esse auxílio dos nutricionistas é muito importante, pois eles especificam alimentos e até suplementos que podem auxiliar na redução da fadiga e também orientar para que você não consuma alimentos que possam piorar esses sintomas.

Em algumas situações específicas o médico pode também indicar o uso de antidepressivos específicos por algum um tempo, para ajudar o paciente a lidar com esses sintomas.

Mas também é importante reconhecer que é necessário repouso e descanso, o que muitas vezes não acontece. Portanto, reconheça que o seu organismo está precisando descansar. Nos casos em que há anemia o descanso também é muito importante, assim como o tratamento.

Tenha um “Diário de tratamento”

É comum que os médicos recomendem que os pacientes façam um diário de tratamento, onde será relatado de forma bem específica e prática os momentos do dia em que o paciente sentiu mais cansaço, se houve relação com falta de ar e também quais atividades do dia o paciente identificou que desencadearam mais a fadiga. A partir desses relatos, o seu médico poderá ajudar mais, montando um plano de melhora desses sintomas.

Eu espero que essas informações ajudem muito no seu tratamento!

Até a próxima.

Dra. Alessandra Morelle