Exame de sangue que detecta câncer pode ser uma realidade

Um exame de sangue que detecta câncer é o sonho de todo oncologista. Isso porque as chances de cura aumentam significativamente quando a doença é descoberta precocemente. Ainda que o tumor seja considerado pequeno, em seu início, cada centímetro carrega milhões de células malignas.

Infelizmente, nem todos os tipos de câncer são fáceis de detectar precocemente. Sabemos que quanto antes a doença é descoberta, maiores as chances de cura. Mas, como funcionaria um exame de sangue que detecta câncer?

Exame de câncer que detecta câncer auxilia no tratamento

Sabemos que o câncer conta com mais chances de cura quando descoberto em seu início. O câncer de mama, por exemplo, tem 90% de chances de cura em seu estágio inicial, enquanto o câncer de intestino conta com 70% de sucesso no tratamento quando detectado precocemente.

Quando a doença é diagnosticada pelo exame de sangue, além de descobrir antes, o exame também entrega detalhes sobre a origem e evolução da doença, determinando como será o tratamento.

Veja também: Prevenção de câncer recorrente e secundário

Grupos de risco já se beneficiam

Por enquanto, o exame de sangue que detecta câncer é uma realidade em outros locais do mundo para grupos de risco. Um exemplo de grupo de risco que podemos citar são os portadores de mutação nos genes BRCA1 e BRCA2, o que torna essas pessoas suscetíveis a contrair o câncer de mama.

Recentemente, essa mutação foi difundida por uma das suas portadoras mais famosas, a atriz norte-americana Angelina Jolie. A artista repete os exames com regularidade com intuito de prevenção, já que possui histórico familiar de câncer de mama.

Outra vantagem do exame de sangue que detecta câncer é que costuma ser muito menos invasivo. Outro grupo de risco que deve fazer exames regulares são os tabagistas ou ex-tabagistas de longa data que já passaram dos 50 anos. Atualmente, é recomendável que se submetam anualmente à tomografia de baixa dosagem – com pouco nível de radiação – a fim de prevenir tumores.

O câncer de pulmão é um dos mais difíceis de detectar em seu início, já que poucas pessoas realizam os exames com regularidade. Quando é descoberto, em 70% dos casos já está espalhado para outros órgãos. Por outro lado, em 90% dos casos é causado pelo fumo e, portanto, é evitável.

Infelizmente, não é possível um único exame que detecte qualquer tipo de câncer. Assim, a estratégia é oferecer cada exame de sangue específico para um grupo de risco. O objetivo é prevenir e detectar o câncer em estágio inicial. Cada exame detecta um aspecto ou elemento integralmente relacionado ao tipo de câncer do grupo de risco.

Um caso de sucesso

Na China, os casos do câncer de nasofaringe se popularizaram devido à poluição. A nasofaringe é uma região de difícil acesso. Por isso, a ressonância ou a nasofibroscopia eram realizadas somente após o surgimento de sinais de que a doença já estava avançada (sangramento e nódulos no pescoço).

Além de integrarem um diagnóstico tardio, os meios convencionais de detecção de câncer eram bastante invasivos. A estratégia dos pesquisadores médicos foi criar uma biópsia líquida que rastreia no sangue o DNA do vírus Epstein-Barr, relacionado a esse tipo de câncer.

Os resultados comprovaram que o exame de sangue é muito mais ágil e eficiente para promover a cura do câncer de nasofaringe. No entanto, esse tipo de exame ainda não está disponível para detectar todas as variações do câncer.

Como médica, eu espero que o exame de sangue que detecta câncer seja uma realidade nos consultórios de todo o mundo a fim de minimizar os sofrimentos dos pacientes e otimizar os trabalhos das equipes médicas.

Até a próxima!

Dra Alessandra Morelle