Como a quimioterapia pode afetar o coração

Você sabia que a quimioterapia pode afetar o coração? Dependendo dos fármacos empregados no procedimento de combate ao câncer, o paciente pode apresentar efeitos colaterais transitórios ou definitivos como arritmia, vasoespasmo coronariano e insuficiência cardíaca.

Sabemos que o tratamento é essencial para a cura. Receber o diagnóstico do câncer é suficiente para mexer com a rotina do paciente, mas poucos sabem que a quimioterapia pode afetar o coração. Hoje, vou tratar sobre o assunto para que você possa conversar com o seu médico e até mesmo reconhecer os sintomas.

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Quais quimioterápicos mais afetam o coração?

Normalmente, os quimioterápicos mais empregados no tratamento contam com potencial para afetar a saúde do coração. As antraciclinas, famosas por fazerem parte da “quimio vermelha” contra o câncer de mama, e o Trastuzumab, também utilizado contra este tipo de câncer, são as substâncias mais ligadas a cardiotoxicidade.

Ainda assim, essas duas drogas causam desconfortos diferentes. O Trastuzumab prejudica o bombeamento do sangue pelo coração para todo o organismo. Para mapear o problema, um exame chamado ecocardiograma deve ser feito a cada três meses em pacientes que estão usando a substância para seu tratamento quimioterápico.

Por ser um quimioterápico com anticorpos monoclonais, também é empregado contra câncer de pulmão, intestino, leucemia e linfomas. O Trastuzumab não causa insuficiência cardíaca sintomática e definitiva.

Sobre as antraciclinas, a situação é bastante diferente. Essa droga tem potencial de toxicidade diretamente nas células musculares do miocárdio, o que pode levar a um quadro de insuficiência cardíaca. Tal complicação é considerada rara, com 5% de casos graves e definitivos, e pode se manifestar apenas anos após o tratamento. Ainda assim, o tratamento com essa substância atualmente é evitado ao máximo.

A radioterapia, apesar de ter avançado consideravelmente, pode afetar o coração quando aplicada na região torácica, em casos de câncer de pulmão, câncer de mama ou em linfomas.

Cuide do seu coração

Agora que você já sabe que a quimioterapia pode afetar o coração, é preciso ficar atento. Quando o paciente apresenta hipertensão e passou dos 50 anos, é preciso acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. De preferência, com um cardio-oncologista na equipe.

Curar o câncer é o principal objetivo do tratamento. No entanto, não significa que não seja preciso cuidar de outros órgãos para garantir a manutenção da saúde do paciente por uma longa data. Por isso, a cardio-oncologia é uma área em ascensão da medicina.

Há medicamentos com ação beta-bloqueadora, como o carvedilol, e anti-hipertensivos da classe dos IECA (inibidores da enzima conversora de agiotensina), que podem ser utilizados para prevenir os efeitos colaterais em pacientes que vão receber os quimioterápicos que podem afetar o coração.

O paciente que recebe o diagnóstico de câncer e já conta com problemas cardíacos precisa de mais cuidados do que nunca. Por isso, cuidar da saúde é sempre fundamental. Tudo que tem impacto negativo na saúde cardíaca deve ser combatido, como hipertensão, diabetes e obesidade.

Espero que meu artigo tenha ajudado você a entender como a quimioterapia pode afetar o coração.

Até a próxima!

Dra. Alessandra Morelle.