Câncer e infertilidade: qual a relação?

Você já deve ter ouvido falar sobre a relação entre câncer e infertilidade. Você tem dúvidas se o câncer acaba com a fertilidade? Sabe se existe algo para evitar o problema? Para entender o assunto, siga a leitura deste artigo.

A infertilidade não é causada diretamente pelo câncer, mas sim pelos tratamentos que envolvem quimioterapia e radioterapia. Infelizmente, as aplicações não destroem apenas as células cancerígenas, como também podem afetar as células germinativas, responsáveis por originar óvulos e espermatozoides.

Atualmente, entre 80 a 90% dos jovens com câncer serão curados e, uma vez que retornem às suas rotinas e sonhos, certamente vão priorizar a qualidade de vida. Por isso, eu acredito que tratar o câncer deve ser prioridade, porém, sem deixar de lado a questão humana desse tratamento. Mais do que curar, estamos cuidando de vidas.

Alguns fatores podem influenciar no caso da pessoa ficar infértil ou não. Vamos entender melhor a relação entre câncer e infertilidade?

Câncer e infertilidade

Variáveis como o tipo de câncer a ser tratado, idade do paciente e seu potencial fértil devem ser analisadas antes de verificar se o tratamento pode mesmo levar à infertilidade. Os tratamentos oncológicos próximos da região pélvica tem mais chances de causar o problema.

A quimioterapia tem potencial de lesar os óvulos e os folículos ovarianos, responsáveis por abrigar os óvulos e os hormônios sexuais. Isso pode levar a mulher à infertilidade ou a menopausa precoce. A radioterapia é mais agressiva quando é aplicada na região pélvica da paciente, próxima dos ovários.

No caso dos homens, a quimioterapia pode levar à redução do número de espermatozoides. Isso porque afeta o crescimento e a multiplicação dos gametas. Cirurgias de próstata, bexiga, intestino grosso, espinha ou reto podem danificar alguns nervos e tornar o homem incapaz de ejacular.

Veja também: Dicas para pacientes em tratamento oncológico

Há como evitar esses efeitos?

Agora que você entende a relação entre câncer e infertilidade, é importante comunicar ao seu médico desde o início do tratamento seu desejo de formar família. A recomendação mais comum é retirar os gametas, sejam masculinos ou femininos, a fim de mantê-los congelados.

Uma alternativa interessante é a criopreservação, que está em fase de estudos. O procedimento consiste em retirar uma parte pequena do tecido testicular ou ovariano e manter congelado para um posterior transplante no organismo humano. O objetivo é indicar essa opção para pacientes que precisam iniciar o tratamento imediatamente e não podem realizar a coleta dos óvulos.

Como controlar a natalidade durante o tratamento?

É importante que a paciente não fique grávida enquanto precisa se submeter a um tratamento de quimioterapia e radioterapia. O bebê pode nascer com sequelas decorrentes dos efeitos do tratamento, em especial se ocorrer nos primeiros três meses da gravidez.

Eu recomendo que a paciente peça para o médico um anticoncepcional adequado para impedir a gravidez durante o período do tratamento. Quando a gravidez já está encaminhada, o médico costuma indicar outros tratamentos. Para os homens, também é recomendável que não engravide a parceira durante o tratamento, pois o espermatozoide pode sofrer uma mutação e gerar um bebê com deficiência ou problemas de saúde.

Quando você terminar o seu tratamento, converse com seu médico a respeito de quando é possível iniciar as tentativas de formar uma família. É comum precisar aguardar alguns meses.

Espero que meu artigo tenha ajudado você a entender a relação entre câncer e infertilidade.

Até a próxima!

Dra. Alessandra Morelle